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domingo, 4 de setembro de 2011

Como estimular as inteligências através das aulas de Educação Física?



Buscando conceituar inteligências
Existe um certo consenso intelectual de que inteligência passa a ser concebida como uma capacidade de resolver problemas ou de elaborar produtos que seja valorizado em um ou mais ambientes culturais (ANTUNES, 2002, p.13).
(...)
A inteligência é a compreensão fácil, um potencial que se manifesta na mente humana através de uma constelação de funções cerebrais, altamente organizadas, resultantes de uma imbricação de ações que envolvem neurônios e neuro transmissores, sinapses e fluxos sanguíneos (ANTUNES, 2002 p.113).
    As definições de inteligência tornaram-se mais abrangentes, considerando diversos escopos de habilidades e domínios, indo desde a capacidade para resolver problemas e constituir produtos válidos para um contexto cultural até a potência para disponibilizar diferentes recursos cerebrais para se adaptar a alguma situação e para agir ou responder a demandas ambientais. As inteligências mudam de criança para criança, para testar estas inteligências poderá ser realizado um teste de quociente de inteligência. "Um teste de inteligência de fato prevê a habilidade da pessoa de haver-se com materiais escolares embora preveja pouco sobre o sucesso na vida" (GARDNER, 1994, p.3).
    Não existe uma única inteligência, as inteligências são múltiplas (GARDNER, 1994), incluindo dimensões. Em geral, são oito inteligências: a) verbal-lingüística; b) lógico-matemática; c) viso-espacial; d) musical; e) cinestésico-corporal; f) interpessoal e g) intrapessoal.
    Neste texto, abordaremos apenas três delas: a lógico-matematica; musical e, finalmente, a cinestésico-corporal, de muita importância para a valorização e legitimação da EF escolar. Não é tão simples classificar essa multiplicidade de inteligências, que pode ser constatada pela observação da mente humana. Assim, o potencial de inteligência varia de pessoa para pessoa, pelo seu desenvolvimento e desempenho, considerando-se fatores e vetores inatos e adquiridos.

A inteligência lógico-matemática
    A inteligência lógico-matematica "está associada à competência em desenvolver raciocínios dedutivos e em construir cadeias causais e lidar com números e outros símbolos matemáticos" (ANTUNES, 2002, p.13). Também se manifesta pela capacidade e pela sensibilidade para separar e transformar símbolos numéricos, bem como pela capacidade de trabalhar longas cadeias de raciocínios aritméticos, algébricos ou geométricos (domínios do conceito matemático); gosto por atividades ou jogos de xadrez ou tangrans; e habilidades para trabalhar idéias que envolvam o espaço ou os raciocínios numéricos. Jogos para despertar a consciência operatória e significativa dos sistemas de numeração que está embutida na idéia do "muito" e do "pouco" (quantidade e ordenações); jogos específicos para o estímulo de operações e conjuntos (jogos operatórios com as ferramentas básicas de avaliação lógica-matematica; ou seja, os instrumentos de medida); e finalmente jogos estimuladores de raciocínio lógico (ANTUNES, 2002, p.72).
    Estes jogos podem ser trabalhados dentro da escola com o professor de educação física em conjunto com o professor de matemática, ensinando a estimular seu raciocínio crítico, percepção espacial, a lógica e o raciocínio do universo numérico.

Inteligência musical e atividades rítmicas
    A inteligência musical "representa um sentimento puro na humanidade e esta à percepção formal do mundo sonoro e o papel desempenhado pela música como forma de compreensão do mundo"(ANTUNES, 2002, p.13). Revelando-se como a capacidade para combinar e compor sons não-verbais, para identificar sua unidade específica e para encadeá-los em uma seqüência lógica e rítmica, bem como estruturá-los em harmonia e compor melodias, que envolve um ambiente ou lugar.
    A música é a linguagem que se traduz em formas capazes de expressar sensações, sentimentos e pensamento. Está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, política, etc. Faz parte da educação desde há muito tempo, sendo que, já na Grécia antiga, era considerada como fundamental para formação dos futuros cidadãos (OLIVATTO, 2002). "De todos os talentos com que os indivíduos podem ser dotados, nenhum surge mais cedo do que o talento musical" (GARDNER, 1994, p.78).
    Indivíduos se destacam pela capacidade de se produzir e apreciar ritmos através de sons. A música motiva a quem escuta, provocando movimentos da cabeça, braços, pernas; conhecidas como expressões rítmicas, que levam a um estado agradável de encanto chamado e conhecido por nós como dança (IAVORSKI, 2007).
    Talvez a dança, junto com a música, sejam os elementos mais importantes para que se possam desenvolver atividades lúdicas nos estabelecimentos escolares. A dança já existe desde os tempos mais remotos e é referenciada na mitologia (OLIVATTO, 2002). Dançar é tão importante para uma criança quanto falar, contar ou aprender geografia. É essencial para a criança que não desaprenda essa linguagem, pela influência de uma educação repressiva, preconceituosa e frustrante (MOREIRA, 2004, p.72).
    Ocorre uma tentativa de separação em nossa escolaridade do ensino da música e da dança de outras disciplinas. É importante que o professor descubra e mostre aos seus alunos que os temas trabalhados são ricos e que sua compreensão é bem mais completa quando associamos um fato e uma circunstância a um som que os emoldura. A inteligência musical e rítmica é uma das inteligências humanas que mais se desenvolve, podendo ser percebida, isoladamente, quando limitações em outras áreas não impedem a sensibilidade para a composição musical. Se os sons forem associados a conteúdos diversos, e os alunos forem progressivamente levados a estabelecer essas relações, da mesma maneira como organizarão um volume de saberes, poderão organizar também igual volume de informações sonoras, rítmicas e musicais. "A música é uma sucessão de sons e combinação de sons organizados de modo a exercer uma impressão agradável ao ouvido e sua impressão à inteligência é ser compreensível..." (GARDNER, 1994, p.82).
    Alguns alunos podem descobrir, por meio de pesquisa, entrevistas com especialistas, diferentes "línguas faladas" por instrumentos musicais, agrupar essas línguas em "culturas" e inventar diferentes "diálogos" entre instrumentos. "No caso da linguagem há considerável ênfase, na escola, em aquisições lingüísticas adicionais, a música ocupa uma posição relativamente baixa em nossa cultura e então o analfabetismo musical é aceitável" (GARDNER, 1994, p.86).
    Essa atividade pode estimular comparações com outros tipos de agrupamentos, facilmente constatadas nas ciências, matemática, geografia, história ou mesmo elementos da gramática. Incentivar a criança a montar uma paródia relacionada ao que foi aprendido durante a semana, o professor escolhe o tema e passa ao aluno desenvolver este trabalho em grupo, podendo ser representado através de dança, ritmos, ou música. Estas propostas incentivam a memorização através da associação, melhor compreensão de conteúdos, além de socialização do trabalho em grupo e motivação à criatividade, através do envolvimento de todos. Usando a interdisciplinaridade, permite-se que o lúdico entre na sala de aula e que este ambiente se torne agradável e motivante para o aprendizado cotidiano da criança.

A inteligência cinestésico-corporal
    A inteligência cinestésico-corporal pode ser identificada como uma capacidade para controlar e utilizar o corpo. É a inteligência que se manifesta nas mais diversas expressões corporais: na dança, na mímica, na prática esportiva e no uso da linguagem corporal para propósitos de comunicação. Esta comunicação ocorre através do corpo, do movimento corporal. Diversas capacidades e habilidades físicas são associados a essa inteligência: forças, equilíbrio, destreza, agilidade, flexibilidade, etc. As atividades que fazem da linguagem corporal um elemento da aprendizagem são muitas e extremamente diversificadas, mas em sala de aula quase nada se faz, persistindo-se no erro de separar mente do corpo, a sala de aula da quadra esportiva.
    A mímica pode ser um instrumento interessante de construção de saberes; e o uso do corpo para explicar fatos constituídos para exploração de uma linguagem diferente deveris ser mais utilizado no ambiente escolar. Com a mímica, pode-se reforçar a compreensão de conteúdos ministrados e estimular referências que ajudem a guardá-la na memória de longa duração, por estratégias mnemônicas e associativas e mais que isso, que o aprendizado seja significativo e compreensível à realidade do educando.
    Quando os professores de Educação Física são percebidos pela escola como profissionais imprescindíveis para levar os alunos a descobrirem seu corpo e as possibilidades de movimento, a adotarem hábitos saudáveis e qualidade de vida, a desenvolverem espírito crítico em relação a imposições de padrões sobre saúde, beleza e estética, é impossível que não se relacione a estes itens o estimulo à inteligência cinestésico-corporal.
    Na educação física, os jogos que estimulem a inteligência cinestésico-corporal e a motricidade, podem ser associados à coordenação manual e à atenção; à coordenação viso-motora e tátil; à percepção de formas e percepções tridimensionais, aos conceitos de peso e tamanho e, finalmente, a jogos sensoriais, tais como jogos estimuladores do paladar e da audição. A educação física pode colaborar sobremaneira no desempenho do aluno dentro da sala de aula, trabalhando e desenvolvendo suas inteligências, sua forma de se expressar e de ser no mundo e na realidade escolar, onde convive.

Os jogos e a aprendizagem
Jamais pense em usar os jogos pedagógicos sem um rigoroso e cuidadoso planejamento, marcando por etapas muito nítidas e que efetivamente acompanhem o progresso dos alunos(ANTUNES, 2002, p.37).
    Os jogos pedagógicos têm que ser planejados pelo professor cuidadosamente, para saber o objetivo da aula. "Os jogos ou brinquedos pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento" (ANTUNES, 2002, p.38). O professor deve preparar seus alunos para o momento especial a ser propiciado pelo jogo e explicar a razão pela qual está adotando o jogo naquele momento da aula.
    Na língua portuguesa, podem ser utilizados jogos que explorem as inteligências lingüísticas, espaciais e pessoais. Aplicando o uso da linguagem para facilitar a expressão, compreender textos escritos e orais, construir imagens diversas com as palavras e transformar a linguagem em instrumento para a aprendizagem. Já nas Ciências, "entender a natureza como um todo dinâmico e como um conjunto complexo de seres e ambiente, incluindo o homem, e perceber sua atuação como agente transformador da paisagem" (ANTUNES, 2002 p.44), poder-se-ia estimular os educandos a realizarem experimentos, analisarem situações e reações, incluindo o funcionamento e reações orgânicas e fisiológicas durante o esforço e exercício, os períodos amturacionais, hormônios e sexualidade poderiam ser facilmente trabalhados também.
    Na matemática, são utilizados os jogos que explorem a inteligência lógico-matemática, musical e espacial. Identificar os conhecimentos matemáticos como um dos meios para o conhecimento do mundo, resolver problemas e desenvolver formas de raciocínio. Na história, pode-se utilizar os jogos que explorem a inteligência musical, cinestésico-corporal e espacial. Através destes jogos, poder-se-á identificar no próprio grupo os fundamentos da historicidade do ambiente, perceber o espaço em que vivem como portadores de outras características em outros tempos, localizar eventos em uma seqüência temporal e explicar o presente, através de analogias com o passado, ou previsões ou prognósticos comparativos do futuro.
    Na Geografia, os docentes podem se utilizar dos jogos que explorem a inteligências pessoais e a naturalista (ambiental). Fazer com que conheçam o espaço geográfico e construam conexões que permitam aos alunos perceber a ação de homem em sua transformação e em sua organização no espaço físico e social. Vale ressaltar que "os temas não constituem novas áreas e, menos ainda, novas disciplinas curriculares, e assim pressupõe um tratamento integrado pelas diferentes áreas, e, portanto uma concreta interdisciplinaridade" (ANTUNES, 2002, p.44).
http://www.efdeportes.com/efd119/a-ludicidade-no-desenvolvimento-e-aprendizado-da-crianca-na-escola.htm
FONTE:

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PENSAMENTOS

PENSAMENTOS

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."



" O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre vazio. E a semente do pensamento é o sonho. Por isso os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos."( Rubem Alves )


"As crianças têm uma sensibilidade enorme para perceber que a professora faz exatamente o contrário do que diz".( Paulo Freire )


De que adiantará um discurso sobre a alegria se o professor for um triste?"
( Artur da Távolla )


"Brincar com as crianças não é perder tempo, é ganhá-lo, se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados, em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.”
Carlos Drummond de Andrade



Nós mesmos sentimos que o que fazemos é uma gota no oceano.
Mas o oceano seria menor se essa gota não existisse."
(Madre Teresa de Calcutá )